quinta-feira, 3 de maio de 2012
Foram tantas as brigas, me faziam rir. Não era certo nem errado, era o que devia ser. E nos dias, nas datas pra comemorar a gente não jurava mais nada e só bebia pra esquecer.
O que era lindo se foi, agora é normal e chato, um tédio. Pegue o que tiver que pegar mais o que quiser. E parte de mim quer te ver feliz. Parte de mim te expulsa, te perde. Parte de mim quer te ver feliz. Parte de mim te expulsa e morre.
Então fica assim, o último apaga a luz. Na porta que não range mais, ouvi o barulho mesmo assim.
"Cala essa boca, que isso é coisa pouca perto do que passei. Eu que lavei os teus lençóis sujos de tantas outras paixões e ignorei as outras muitas, muitas.
Vai, depois liga! Diz pra sua irmã passar que eu vou mandar tudo que é seu que tem aqui, tudo que eu não quero guardar, que é pra esquecer de uma só vez que este castelo só me prendeu, viu? Mas o universo hoje se expandiu e aqui de dentro a porta se abriu."
‎"Não estava triste. Era como se, de repente, tivesse constatado que vivia. E que aquilo nada mais era do que um capítulo de sua vida. Encerrado."
‎"Você vai me destruir como uma faca cortando as etapas, furando ao redor.
Me indignando, me enchendo de tédio, roubando o meu ar.
Me deixa só e depois não consegue. Não me satisfaz."

Parece brincadeira, mas eu sei que a gente faz um monte de besteira por saber que é bom demais...

postheadericon Eu queria...

Eu queria um pouco de sossego. Mas não desses que a gente quer se afastar do mundo. Pode parecer estranho, mas eu queria sossego de mim mesma, desses pensamentos mal formulados, dessa confusão, dessa minha teimosia.
Queria ver a situação de fora, mas com a mesma sensibilidade de quem sofre no osso. Queria arrumar essa bagunça com a racionalidade de quem vê de longe. Porque às vezes o emocional atrapalha, a razão não acompanha e vira-e-mexe eu transbordo. E chega uma hora que a gente não aguenta mais esse tipo de coisa. Você quer chorar, você sabe que vai chorar, mas tem tanta raiva das lágrimas que elas nem são capazes de escorrer mais.
Eu só queria usar aquela reserva de paz e força que a gente sempre tem. Eu só queria um banho de chuveiro por dentro, como já decifrou Caio Fernando Abreu. Queria um banho desses que lava a alma e nos faz esquecer de tudo que nos abala, desses que são facilmente substituídos por um porre e dificilmente invalidados pelo tempo. Quero me organizar, mas ao menos sei por onde começar.
E assim, eu vou dando um sorriso aqui e outro ali enquanto eu finjo que não estou cansada dessa confusão interna que eu mesma criei.

postheadericon Deixa Entrar!

A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto. Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento.
Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.